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Como ouvir pode te fazer aprender e evoluir

  • Foto do escritor: xaviercivic
    xaviercivic
  • 10 de jun. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de jul. de 2021

Abrir possibilidades de aprendizado a partir da escuta do outro e conversa pacífica possibilita a troca de conhecimento.


Por Matheus Xavier


Na Cuscuzeira, o ato de ouvir o outro, é sinônimo das palavras conhecimento e evolução. Aprender a partir do ponto de vista de outra pessoa parece não fazer sentido na polarização atual, mas é o que vários teóricos e intelectuais defendem como a oportunidade de evoluir, refletindo com e sobre a realidade de outros.


Com o dialogismo defendido por Mikhail Bakhtin, sujeitos com pensamentos e posicionamentos diferentes podem dialogar sem ofensas ou agressões, e de certo modo esse diálogo ou conversa possa gerar um novo conceito a partir do ponto de vista dos dois. Ou seja, pessoas abertas a ouvir, serem ouvidas e trocar experiências e pontos de vista.


Trazendo para os dias de hoje, é como colocássemos uma pessoa de direita e uma de esquerda conversando. Se elas se respeitarem e escutarem realmente o que o outro tem para falar. Juntos vão chegar em um consenso, um novo ponto de vista baseado na experiência de cada um, desde que ambos estejam dispostos a isso.


Em contra partida, deve-se ter ciência que as pessoas são aquilo que elas vivem, a partir dos conceitos que lhe são apresentados desde da infância. Sobre isso, a linguista e professora, Eni Orlandi, diz que para realizar análise do discurso é preciso levar em consideração o que cada sujeito carrega de ideológico em si, no discurso, na defesa, no diálogo. Ela teoriza e observa a relação entre a língua e ideologia, compreendendo os sentidos por/para os sujeitos.


A Cuscuzeira nasceu justamente desse desejo de analisar, relatar e passar a diante o conhecimento que a equipe adquire a cada conversa inesperada, leitura de livros, ao marotonar uma série ou assistir um filme. Exemplo disso são os nossos podcasts, reportagens e posts no Blog.


Algo inesperado sobre ouvir e aprender a partir disso, me faz recordar a história da a professora Diva Guimarães. Que não foi feita por nós da Cuscuzeira, mas nos despertou total aprendizado. Ela foi “descoberta” durante uma palestra em que Lázaro Ramos participou na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) - 2017, intitulada ‘A pele que habito’. Em seu depoimento no evento, falou sobre sua história de vida, como superou os desafios para adquirir conhecimento e se tornar professora, indo contra o lugar em que a sociedade a coloca - mulher preta e pobre que, estruturalmente, seria ignorante e subalterna.



O depoimento na Flip emocionou Lázaro, que fez questão de estabelecer contato com Diva e sua família. Sua história se assemelha à trajetória de mulheres brasileiras anônimas que se desdobram para fugir de estatísticas deprimentes e excludentes, tendo como principal plano de fundo a busca e determinação por conhecimento.


Na época desse episódio, a professora era anônima para muitos, mas sua história carrega a importância da educação para formação das pessoas, principalmente de pessoas negras dentro de um sistema que tem presente o racismo estrutural e a inferiorização da mulher preta na sociedade.



 
 
 

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