As Guerreiras na Terra da Intolerância
- thatyanabeatrizfer
- 15 de mar. de 2021
- 11 min de leitura
Atualizado: 9 de jun. de 2021
Vem conhecer cinco mulheres que não só construíram como continuam construindo história no Brasil apesar de qualquer preconceito e censura
Com as Guerreiras da Terra de Vera Cruz e com as Guerreiras da Terra do Samba conhecemos épocas importantes da história do país, como o surgimento da democracia e a luta por educação de qualidade no Brasil colonial, mas ainda temos mais dez mulheres para conhecer e quem sabe entender que a guerra ainda não acabou e que, infelizmente, as mulheres brasileiras precisam continuar lutando para viver.
Hoje vamos apresentar a vocês a trajetória das penúltimas mulheres dessa série de textos e são elas: Elza Soares, Lélia Gonzalez, Margarida Maria Alves, Conceição Evaristo e Marinalva Dantas. Vem (re)conhecer essas guerreiras!

Ela nasceu em 1937, no dia 23 de junho, no Rio de Janeiro. E mal sabiam seus pais, o operário Avelino Gomes e a lavadeira Rosária Maria da Conceição, que naquele dia não nascia somente sua filha, mas também uma voz que marcaria inúmeras gerações. Uma voz que transmite até hoje o grito de quem foi silenciado.

Elza da Conceição Soares morou por muito tempo com os seus pais no subúrbio do Rio de Janeiro, em uma comunidade onde hoje existe a Vila Vintém. Sua paixão pela música começou cedo, cantava ao lado do pai que tocava violão nas horas vagas.
Tão cedo quanto seu amor pela música também começou sua luta. Elza foi obrigada pelo pai a casar com Lourdes Antônio Soares aos 12 anos, tendo que parar sua infância no meio do caminho para encarar a labuta e novamente a luta de manter um lar, trabalhando como faxineira.
Aos 13 teve seu primeiro filho, João Carlos, que morreu em decorrência de uma doença. Aos 15 o luto se repetiu, ao perder seu segundo filho. Aos 21, depois de nove anos de casada, perdeu seu marido e a essa altura tinha cinco filhos, sendo quatro meninos e uma menina, para criar, por quem teve que ser forte enquanto seguia de luta e luto, mas com garra para construir um futuro brilhante para ela e para suas crianças.
Seu próximo amor foi Garrincha, uma relação que começou na Copa do Mundo do Chile, em 1962, quando o atleta ainda era casado. Ela estava iniciando sua carreira musical e foi duramente atacada pelo público que a julgavam como o motivo do fim do casamento de jogador de futebol.

O atleta divorciou-se depois de um tempo vivendo clandestinamente com Elza e casou-se com a cantora, com quem viveu por mais de dezessete anos e teve um filho, Júnior, que morreu em 1986, vítima de um acidente de carro, e mais uma vez Elza se fez luto. Ela viveu durante o ápice da ditadura, teve sua casa metralhada e até hoje não sabe qual o real motivo para tal atrocidade.
Sua carreira musical transcende qualquer amor e qualquer dor. Ela deu início a esse sonho em 1953 quando ficou em primeiro lugar ao fazer um teste na Rádio Tupi, no programa do Ary Barroso, teste no qual ela só fez para conseguir dinheiro para custear o tratamento do seu filho que estava doente.
Ela também trabalhou na Orquestra Garam Bailes, como cantora até 1954. Foi contratada para trabalhar na Rádio Vera Cruz em 1959 e um ano depois, em 1960, atuou no Festival Nacional da Bossa Nova, mesmo ano em que gravou seu primeiro CD e fez sucesso com a música “Se acaso você chegasse”. Em 1962 foi representante do Brasil na Copa do Mundo do Chile, onde, como já foi citado, conheceu Garrincha.
Em 1970 realizou sua primeira turnê internacional e firmou seu nome no mercado musical. Gravou CDs, ganhou inúmeros prêmios como o Grammy Latinho de Melhor Álbum de Música Brasileira e o Prêmio da Música Brasileira como o Melhor Álbum de 2016. Um dos seus marcos é ter sido eleita em 1999 como a cantora brasileira do milênio pela Rádio BBC de Londres".
Sua voz rouca ecoa na mente de quem já parou para escutar seu canto, seu grito por liberdade e respeito. Luta abertamente contra o machismo e sua vida foi tema da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel em 2020.
Elza segue até hoje construindo história em meio às suas lutas, seus lutos e sua vida sem amarras. Ela é exemplo e suas músicas são alento num Brasil que foi construído com base em preconceitos. Que um dia possamos cantar que a carne mais barata do mercado NÃO é a mais carne negra e continuar em defesa do que Elza canta e clama.

(Foto: Marcelo Theobald)
" Precisamos ter consciência de que muitas mulheres morreram para que pudéssemos ficar vivas, termos liberdade de escolher e fazer o que quisermos."
Elza Soares

Ativista, feminista, professora, antirracista. Hoje é comum ver mulheres com pelo menos duas dessas características, mas na época dessa guerreira era uma afronta lutar abertamente por direitos que já deveriam ser garantidos no berço. Sua vida é a prova de que só através da luta e da educação é possível quebrar o silêncio e o apagamento.

Lélia Gonzalez nasceu no dia primeiro de fevereiro de 1935, em Belo Horizonte. Filha da índia Orcinda Serafim d’ Almeida Lélia de Almeida González e do ferroviário Accacio Serafim d’ Almeida, foi a penúltima filha do casal, que teve dezoito filhos. Foi sua mãe que lhe encaminhou nas primeiras lições sobre independência.
Em 1942, para acompanhar seu irmão Jaime que iria jogar no Flamengo, mudou-se com a numerosa família para o Rio de Janeiro, cidade que adotou como lar e onde teve seu primeiro emprego, como babá.
No Rio ela graduou-se em filosofia e história, com isso lecionou em escolas da rede pública e futuramente concluiu seu mestrado em comunicação social, mas ela não parou por aí, também fez doutorado em antropologia política/ social em São Paulo, dedicando-se a pesquisar sobre etnia e gênero. Também foi professora universitária, dava aulas sobre Cultura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Rio), instituição na qual ela também foi chefe do departamento de Política e Sociologia.
Lélia era casada com Luiz Carlos González e a família dele não apoiava a união inter-racial e disseminavam preconceito mesmo depois que ela ficou viúva. O que não a impediu de assumir suas origens, o que fez através do candomblé, da psicanálise e da cultura afro- brasileira.
Ciente de quem é e do seu papel social ela ajudou a fundar o Movimento Negro Unificado (MNU), em plena na ditadura militar, entidade que foi oficializada em um ato público realizado na escada do Theatro Municipal em São Paulo no dia sete de julho de 1978, o que tornou a organização reconhecida nacionalmente.

(Foto: Arquivo/MNU)
“Mais importante salto qualitativo nas lutas da comunidade brasileira na década de 70
afirma Lélia sobre a fundação do MNU.
Lélia também ajudou a fundar o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga e militou em diversas organizações em vários estados do país. Ela foi indicada para integrar o Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM), em razão da sua luta em defesa da mulher negra, onde atuou por quatro anos. Também disputou uma vaga na Câmara Federal, no ano de 1982, alcançando a primeira suplência, cargo que também foi conquistado quando se candidatou como deputada estadual em 1986.

(Foto: Januário Garcia)
Nos seus últimos anos de vida estudava um conceito intitulado por ela de “negros da diáspora”, o que deu origem ao outro conceito o de amefricanidade. Escreveu diversos artigos e deixou registradas suas teorias e ensinamentos. Além disso, várias pessoas disseminam suas reflexões até hoje em panfletos, seminários, documentários, entre outros meios.
Ela faleceu no Rio de Janeiro, o lugar que adotou como seu, em 10 de julho de 1994, em decorrência de problemas cardíacos, mas seu legado continua vivo, nos jovens que mantém MNU vivo e nas pessoas que não desistem da luta antirracista, nem de defender as mulheres negras e principalmente brasileiras.

Era fim de tarde, ela estava na janela vendo seu filho pequeno se divertir em frente a sua casa. Os vizinhos seguindo a vida e conversando nas calçadas. Até que todo o ruído se fez silêncio, e do silêncio irrompeu um tiro. Uma espingarda carregada de pregos enferrujados, um único tiro no rosto e um recado.

Margarida Maria Alves morreu porque não tinha medo de defender os direitos do seu povo. Ela era líder dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande, Paraíba, e sua morte, sete dias depois dela ter completado 40 anos, foi uma tentativa de silenciar uma luta que persiste até hoje. Em honra a sua memória, a Marcha das Margaridas foi fundada para continuar defendendo os camponeses da exploração.

Marcha das Margaridas de 2019 / Marcha das Margaridas realizada virtualmente em 2020
“Eles [latifundiários] estão com medo da nossa organização, estão com medo da nossa união, porque eles sabem que podem cair oito ou dez pessoas, mas jamais cairão todos diante da luta por aquilo que é de direito devido ao trabalhador rural, que vive marginalizado debaixo dos pés deles”
afirmou Margarida em um discurso feito em 1° de maio de 1983, cerca de oito meses antes de ser assassinada.

(Foto: Arquivo/Contag)
Margarida nasceu em cinco de agosto de 1943, na Paraíba e viveu a vida toda no Brejo Paraibano, uma das áreas com o maior índice de violência em 1983, ano de sua morte. Foi a caçula de nove filhos de Alexandrina Conceição e Manuel Lourenço Alves. Aos oito anos começou a trabalhar, para ajudar com o sustento de casa ela trabalhava na lavoura e por ser um serviço que exige tempo, precisou deixar a escola tendo estudado apenas até a quarta série do ensino fundamental. Também era rendeira e fazia de tudo para garantir a renda da sua família.
Casou-se com Severino Casimiro Alves, aos 28 anos e com 32 anos, em 1975, teve seu primeiro filho, José de Arimatéia. Na mesma época em que nasceu seu filho, ela ingressou na política já trazendo revolução, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de presidência do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB).
Margarida ficou dez anos à frente do sindicato e neste período moveu mais de 600 processos trabalhistas contra fazendeiros e donos de usinas, com a intenção de garantir aos trabalhadores rurais os direitos que deveriam lhes ser garantidos, como uma jornada justa de trabalho, seguindo as oito horas diárias, carteira assinada, férias e 13° salário. Quando foi assassinada haviam 72 ações que ela moveu correndo na Justiça. Outro dos seus feitos foi fundar o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural, para incentivar a agricultura familiar.
Enfrentou o Grupo da Várzea, que contava com sessenta fazendeiros, que tinham seus interesses defendidos por cinco deputados estaduais, três federais, e cinquenta prefeitos. Seu maior conflito foi com Aguinaldo Veloso Borges, que liderava o Grupo Várzea e era dono da Usina Tanques, a maior da região. O genro de Aguinaldo, José Buarque de Gusmão Neto, foi acusado de contratar o pistoleiro de aluguel que matou Margarida.
Sua determinação e sua luta foram os motivos de seu assassinato. Cerca de duas mil pessoas foram ao seu enterro e cinco mil na sua missa de sétimo dia. Foram carroças, cavalos, caminhões, pessoas a pé, em marcha.
“Do sangue derramado de Margarida outras Margaridas nascerão!”, dizia a faixa colocada em praça pública em sua homenagem. E foi dito e feito, hoje ela é lembrança, exemplo e expressão. Já que as camponesas de Paraíba se intitulam de “fortes como uma margarida”.

12 de agosto de 1983, data de sua morte, é considerado o Dia Nacional de Luta Contra a Violência no Campo e Pela Reforma Agrária. Em 1988 ela ganhou o prêmio Pax Christi Internacional, em 2002, a Medalha Chico Mendes de Resistência. Todos prêmios póstumos. Seu nome também foi dado à Fundação de Defesa dos Direitos Humanos de João Pessoa, capital da Paraíba.
O maior prêmio que seria a prisão dos mandantes, ainda não foi conquistado, este ano em agosto serão 38 anos de que sua morte foi abafada, os culpados vivem suas vidas enquanto ela virou memória.
Margarida foi incluída, pelo Ministério da Justiça, na lista de anistiados políticos no ano de 2016. E continua presente, resistente em todas as mulheres e camponeses que continuam lutando e seguindo seu legado.
“Não fugimos da luta, e é mais fácil vocês ficarem sabendo que morremos do que fugimos correndo. Vamos conquistar os nossos direitos.” (ALVES, Margarida, 1983)

Professora. Escritora. Revolucionária. Não se limitou ao que esperavam dela e ultrapassou qualquer barreira que lhe foi imposta. Tudo isso com a arma mais afiada que uma pessoa pode ter, a palavra.

Maria da Conceição Evaristo de Brito, conhecida como Conceição Evaristo, nasceu em 29 de novembro de 1946, na cidade de Belo Horizonte (MG). Filha de Joana Josefina Evaristo, que era lavadeira, teve pouco contato com o pai, sendo criada pela mãe e pelo padrasto, Aníbal Vitorino, que era pedreiro.
Tem oito irmãos e durante toda a sua infância e adolescência, viveu na favela do Pindura Saia, comunidade de Minas Gerais que não existe mais. Apesar de viver em situação de pobreza extrema, não desanimou, nem desistiu de seus objetivos.
Aos sete anos foi morar com a irmã mais velha de sua mãe, sua tia Maria Filomena, que também era lavadeira e com seu tio João da Silva, que, assim como seu padrasto, também era pedreiro,
Começou a trabalhar aos oito anos como empregada em uma casa de família. Futuramente trabalhou como faxineira e babá enquanto estudava para ser professora, mas quando se formou não conseguiu um trabalho em Belo Horizonte.
Então mudou-se para o Rio de Janeiro em 1973, porque não existiam concursos para professores em Minas Gerais nesta época. No Rio ela conseguiu se graduar em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Neste mesmo estado ela atuou como professora na rede pública até se aposentar em 2006.
Já sua carreira literária começou quando ela tinha 44 anos, em 1990. Seis poemas dela foram integrados ao 13° volume da coletânea Cadernos Negros, uma revista de 1978. Ela seguiu conciliando a escrita com o ensino e seus estudos pessoais. Fez mestrado em literatura brasileira pela Puc-Rio em 1996 e doutorado em literatura compacta pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2011.
Grande parte dos seus escritos ressaltam a cultura afro-brasileira. Seus contos, romances e poemas já foram traduzidos para o francês e pro inglês. Em 2015 ganhou o prêmio Jabuti e em 2018 o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais. Conceição é vista como uma das mais importantes escritoras brasileiras da atualidade, principalmente por resgatar as raízes e a ancestralidade do seu povo, dando voz a seus pensamentos através de personagens negras.
“O sujeito da literatura negra tem a sua existência marcada por sua relação e por sua cumplicidade com outros sujeitos. Temos um sujeito que, ao falar de si, fala dos outros e, ao falar dos outros, fala de si”, descreve Conceição Evaristo sobre o ato de escrever.

Ela persiste “escrevivendo” e defendendo seu povo através da sua escrita. Afinal é disso que o Brasil precisa. Que as pessoas tenham livros e palavras como munição e não a arma de fogo apontada em riste para a população marginalizada.

Filósofa. Feminista. Antirracista. Tem mais de 150 artigos publicados em jornais, revistas e livros. É militância e constância, mas sem beirar a soberba. Seu nome quer dizer “a que brilha”. Os seus pensamentos podem trazer luz no meio da ignorância e perversidade humana.
Aparecida Sueli Carneiro nasceu em 1950 no estado de São Paulo, onde viveu e passou sua infância junto com seus pais e duas irmãs. Pouco se sabe sobre sua vida pessoal, mas a profissional é carregada de grandes marcos. Em 1971 ingressou na Universidade de São Paulo (USP) para cursar filosofia em meio à ditadura militar. No meio desse ambiente hostil ela manifestou interesse em se aproximar dos movimentos feminista e negro, entre os anos de 1971 e 1980.

Um reflexo dessa aproximação dos movimentos sociais foram suas produções. Seus escritos são em sua maioria voltados para relações de gênero e raciais na sociedade brasileira, temáticas que repercutem em várias áreas de estudo. Uma de suas produções mais famosas é Mulher negra (1995) e para além disso tem também: Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil (2011) e Escritos de uma vida (2018).
Já sua história na militância política tem início no Centro de Cultura e Arte Negra (Cecan), entidade fundada por Eduardo de Oliveira, sociólogo e Thereza Santos, produtora e atriz, em 1971. A princípio a maneira utilizada pelo Cecan, na sua primeira fase, de combater o racismo era a arte em todas as suas facetas.
Tanto que a partir daí o Teatro Experimental do Negro (TEN), que foi fundado em 1944 por Abdias do Nascimento, teve seu trabalho continuado com o apoio dos integrantes do Cecan. A intenção do TEN era permitir que negros atuasem e contassem as suas versões da história do país e da escravidão.
Quando Sueli Carneiro entrou no centro cultural, em 1976, a fundação já estava na segunda fase, depois que a fundadora Thereza Santos saiu do exílio. O movimento passou por uma reformulação e o foco agora era a educação, em especial dos jovens negros até 1981 quando encerrou suas atividades deixando seu legado. Já em 1983, Sueli pede para que o Conselho Estadual da Condição Feminina integrasse uma mulher negra ao órgão, já que até então ele era formado por 32 mulheres brancas.
Um dos seus feitos que perdura até hoje é a fundação da organização Geledés - Instituto da Mulher Negra (1988). A primeira voltada para o feminismo negro no estado de São Paulo. Dois anos depois, em 1990, Sueli criou um programa focado na saúde mental e física das mulheres negras e do projeto Rappers, com a intenção de ajudar jovens negros que foram vítimas de violência policial.
Sueli foi e continua sendo pioneira na quebra de estereótipos e preconceitos. Sempre lembrando que o feminismo negro precisa de espaço. Que a mulher negra precisa ser escutada e que ela não deve ser definida com base em padrões sociais machistas e estereotipados. E mais importante é que a segregação, em todos os âmbitos, não gera conquistas e sim retrocesso.
Obs: Minha maior fonte de pesquisa e inspiração para a produção desse material foi o livro Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil de Arayane Cararo e Duda Porto de Souza.




Comentários