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1970: marcado pela tortura militar e a conquista da taça na Copa do Mundo no México

  • Foto do escritor: Marcondes Augusto
    Marcondes Augusto
  • 9 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

“No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque, se o interrogatório é de longa duração, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava palmatória; usaram em mim muita palmatória.” - Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil


Por Marcondes Augusto


Na época em que a ex-presidente Dilma deu esse depoimento eu era apenas um adolescente desinteressado por política e não me interessava saber o que era pau de arara. Quando comecei a ler ‘Setenta’, livro de Henrique Schneider, me veio a curiosidade de buscar no google o que esse instrumento de tortura faz, e me deparei com cenas desumanas e deploráveis.


Capa digital do livro 'Setenta de Henrique Schneider lançado em 2019 pela editora Dublinense. (Foto: Marcondes Augusto)


A narrativa se passa em 1970 e transita entre o Dia dos Namorados até a final da Copa do Mundo no México, onde o Brasil foi tricampeão. Conta a história de Raul, um bancário solitário de 25 anos que mora com a mãe e após o término de seu namoro, decide ir ao cinema. No caminho é surpreendido por um jovem de camisa vermelha que esbarra nele no meio de uma fulga, por estar também com uma camisa de mesma cor, é confundido com o militante e por engano é levado pelos policiais para ser torturado e confessar o que não sabe.


‘Setenta’ é uma obra curta, são apenas 152 páginas, mas cada capítulo traz uma intensidade singular. Sinto que o autor consegue deixar nossas emoções à flor da pele ao longo que a história de Raul vai se desenrolando. Angustiante, a obra nos coloca no lugar do torturado, desumanizado, humilhado enquanto nos aflige durante a busca de sua mãe que o procura por todo lugar, desesperada e desamparada.


Trecho do livro 'Setenta' do autor Henrique Schneider. (Foto: Marcondes Augusto)


Acostumado a devorar livros com esse tamanho em apenas um dia, levei uma longa semana para conseguir finalizá-lo, a forma que Henrique escreve essa obra é visceral e visual, deixa o leitor constantemente com um nó na garganta com descrições tão realistas e cruéis.


O regime militar é um fantasma que ainda assombra os brasileiros, e que de tempos em tempos é reavivado por declarações de autoridades como o presidente Jair Bolsonaro. Obras como ‘Setenta’ servem para refrescar a memória de quem esqueceu o quanto esses anos foram cruéis e intensos para o país, Schneider entrega uma obra bem construída e detalhista, um thriller para quem tem estômago forte.


Informações adicionais


Título original: 'Setenta'

Ano de lançamento: 2019

Editora: Dublinense

Quantidade de páginas: 152

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