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O que é ser homem? Discutindo masculinidade numa sociedade patriarcal

  • Foto do escritor: Marcondes Augusto
    Marcondes Augusto
  • 20 de jan. de 2021
  • 3 min de leitura

“Fale como homem”, “ande como homem”, “aja como um homem”! Todo menino já ouviu tais repreensões ao longo de sua vida, até mesmo eu, mas uma pergunta que não sai da minha cabeça até hoje é: O que é ser homem?

Para discutir e repensar a masculinidade o autor JJ Bola nos entrega um trabalho minucioso em seu livro “Seja homem: A masculinidade desmascarada” que serve como abertura de um debate profundo sobre os privilégios e a dores de ser um homem numa sociedade patriarcal e repressora.


Livro 'Seja homem: A masculinidade desmascarada' disponível para venda em versão física e digital. (Foto: Marcondes Augusto)

A masculinidade como a conhecemos, segundo Bola, é fruto desse patriarcado onde culturalmente nos é imposto normas ditas como masculinas e que consequentemente nos é submetida como o caminho certo. Logo, o autor a reconhece como uma performance social.

Do mesmo modo que Simone de Beauvoir afirmou sobre ser mulher, Bola também afirma que ser homem é uma construção social e que essa construção é muitas vezes tóxica, machista e opressora. Por isso, para a desconstrução da imagem masculina como a conhecemos, precisamos entender como ela contribui para as mazelas carregadas através dos anos até o mundo contemporâneo.

Juntamente com essa educação patriarcal, foram criados mitos que definem o que são ou não atitudes de homem, que contribuem para o comportamento tóxico e normativo cultivado e perpetuado ao longo da história. Falas como: “homem não chora”, “homem é mais forte que a mulher”, “isso é coisa de homem”, “isso é coisa de gay”, são alguns dos vários mitos que tentam padronizar condutas “de homem”, mas na verdade não são exclusivamente masculinas.

Tais mitos contribuem para a naturalização de comportamentos abusivos, machistas, sexistas e homofóbicos, que esquecem que estamos num mundo diverso e que a construção de caráter não deve ser diferenciada por sexo, condição ou orientação sexual.

Continuando na questão comportamental, o autor mostra como a violência se tornou sinônimo de masculinidade e é atribuída como uma forma naturalizada de conduta masculina, fazendo assim, homens serem “perdoados” por suas atitudes violentas. Desde a infância o afeto entre homens é totalmente desnaturalizado e taxado como algo atípico para o gênero, moldando assim, uma personalidade além de agressiva, homofóbica.

Tal atitude contribui para os vários casos de depressão masculina e problemas mentais que são agravados pela falta de diálogo e contato tanto com outros homens quanto por mulheres por medo de ter sua masculinidade questionada quando se apresenta exposto e frágil ao procurar por ajuda. O que eu quero chamar aqui de “cultura do silêncio”, onde o homem, para não mostrar-se vulnerável, sofre calado.

O afeto é feminizado e imposto à mulher como natural de seu gênero, enquanto ao homem demonstrações afetivas são consideradas desvios de masculinidade e fraqueza, contribuindo para o imaginário machista que coloca a mulher em posição de frágil, indefesa e dependente que à vulnerabiliza.

Com isso, a mensagem final que o Bola deixa ao leitor é não haverá mudança concreta no mundo no qual vivemos, se não acabarmos com a visão machista e culturalmente patriarcal que foi perpetuada até aqui.

De essencial importância que cuidemos dos nossos garotos de forma responsável e afetuosa, dando liberdade para eles se expressem e sejam o que quiserem ser, mostrar que o mundo é feito de diferenças e que a pluralidade é algo positivo.

É entender que movimentos como LGBTQIA+ e o Feminismo são aliados e não querem tirar direitos, pelo contrário, eles agregam pensamento crítico e contribuem para uma sociedade mais democrática e harmoniosa.


Livro publicado pela editora Dublinense. (Foto: Marcondes Augusto)


JJ Bola nos presenteia com esse panorama de uma desconstrução madura, segura e realista que sabe que tais mudanças ocorreram aos poucos. Acredita que o afeto é essencial para a saúde mental de todos e que homens são seres afetuosos e amorosos, e que isso deve ser ensinado como algo positivo. Assumir amar alguém, abraçar um amigo ou até mesmo chorar, são sim, atitudes de homem.


Informações adicionais


Título original: 'Seja homem: a masculinidade desmascarada'


Ano de lançamento: 2020


Editora: Dublinense


Quantidade de páginas: 176 páginas

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