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Cidade Invisível: valorização ou apropriação do folclore brasileiro?

  • Foto do escritor: xaviercivic
    xaviercivic
  • 23 de fev. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de jun. de 2021

A série da Netflix que aborda lendas famosas no Brasil, caiu no gosto dos gringos e levantou contradição na representação do povos indígenas.


Por Matheus Xavier


Entre elogios internacionais e questionamentos no Brasil, ‘Cidade Invisível' ganhou o mundo e chegou a ocupar o primeiro lugar entre as mais assistidas da Netflix nos Estados Unidos. A nova aposta do streaming em um produto audiovisual brasileiro, foi lançada no início de fevereiro e vem dividindo opiniões entre a crítica especializada e os amantes de maratonas.

Marco Pigossi e Alessandra Negrini em cena de 'Cidade Invisível'. (Foto: Alisson Louback/Netflix)


A série ‘Cidade Invisível' retrata algumas das lendas famosas do folclore brasileiro, como a Cuca (Alessandra Negrini), Iara (Jéssica Córes), Saci Pererê (Wesley Guimarães), Curupira (Fábio Lago), e até mesmo o Boto cor-de-rosa (Victor Sparapane).


Mas diferente do que o público brasileiro está acostumado, as histórias possuem novos contextos a partir da ambientação e plano de fundo principal, a vida pessoal e profissional do Eric (Marco Pigossi). Um policial ambiental que ao investigar a morte da esposa acaba descobrindo a existência dessas entidades espirituais e fica ligado diretamente a elas.


Dessa vez, os personagens não são figuras caricatas do Sítio do Picapau Amarelo com cauda de peixe, aparência de jacaré ou gorro vermelho, possuem aparência humana e guardam seus segredos e mistérios para se proteger entre si e preservar a natureza. O que chamou atenção da crítica americana que qualificou a primeira temporada como envolvente com destaque para as atuações.


Camila/Iara (Jéssica Córes), Inês/Cuca (Alessandra Negrini) e Tutu (Jimmy London).

(Divulgação: Netflix)


A trama em sete episódios em média de 40 minutos é ambientada no Rio de Janeiro, o que dividiu alguns comentários nas redes sociais, já que as lendas retratadas são originadas do norte e nordeste do país. Segundo especialistas, a série peca principalmente por não possuir atores ou núcleos de representação direta aos povos indígenas.


"Se quisessem ter feito isso bem feito, teriam contratado indígenas para toda a parte de produção de roteiro, enredo, para além da questão de escolha de atores" - Lai Munihin, socióloga e pesquisadora nas áreas de relações étnico-raciais e encarceramento indígena
"Há uma diferença muito grande entre exaltar uma produção nacional e colaborar para a venda da imagem de um Brasil onde a cultura sagrada de um povo é tratada como uma fantasia exótica, reforçando pensamentos equivocados que os gringos tem sobre nossa cultura" - Fabrício Titiah, ativista da tribo Pataxó HãHãHãe

A direção é assinada por Carlos Saldanha, premiado com as animações ‘Rio’ e a ‘Era do Gelo’, que entrega ao público a tensão esperada nos momentos de transformação dos personagens com uso da computação gráfica e efeitos visuais incríveis.

Apesar de um fim de temporada aberto a novas possibilidades, o roteiro escrito por Rafael Draccon e Carolina Munhóz acaba não explicando a origem de alguns personagens importantes e perde o fôlego já no fim do segundo episódio. O que pode fazer algumas pessoas não terminarem a série por falta de um “gancho” mais forte.

Com tais ressalvas, vale a pena assistir a série pela nostalgia de resgatar, ver e ouvir as lendas sobre o folclore brasileiro contadas com qualidade de imagens e produção. Em uma segunda possível temporada, ‘Cidade invisível' tem a oportunidade de solucionar as falhas de enredo e roteiro, além de ampliar a diversidade ao adaptar histórias dentro de cada grupo e representação.



CONTEÚDO EXTRA


1 comentário


mirelameloo
23 de fev. de 2021

Após assistir a série eu fui pesquisar um pouco sobre os personagens do Folclore. E todos esses personagens possuem diversas histórias, e quase todos os personagens, têm seu surgimento em Portugal e ao chegar no Brasil as histórias foram moldados pelos povos que aqui viviam (indígenas e africanos). Então acho que a série consegue trazer uma descrição bacana das histórias dos personagen, sem contar que ela dá um passado humano a eles.


ps: A Globo que fez a gente achar que a Cuca era um jacaré, mas na verdade ela é apenas uma bruxa (que pode se parecer com um jacaré dependendo da história) um

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