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Da lagoa à mesa: O caminho que o sururu percorre

  • Foto do escritor: Maria Eduarda Xavier
    Maria Eduarda Xavier
  • 2 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

Do meio da lama em um dos lugares mais marginalizados da cidade de Maceió, sai patrimônio imaterial de Alagoas, o sururu.


Texto de Maria Eduarda Xavier


Sururu de capote. Palavra com origem no tupi-guarani “çoo-rurú” que significa bicho úmido, dá nome ao molusco alimento de muito alagoanos e também a favela às margens da lagoa Mundaú, onde seus moradores tiram dali o seu sustento. Localizada no Vergel do Lago em Maceió/AL é uma das maiores zonas periféricas do lado sul da cidade.


Foto: Maria Eduarda Xavier


Quando a pobreza e a miséria foi sentida com maior força no campo, grandes comunidades se dirigiram às cidades, em busca de melhores condições de vida. Nos anos da década de 1970, a lagoa Mundaú foi ocupada por diversos grupos menos favorecidos, oriundos de diversas partes do país, sendo sua grande maioria de outros estados do nordeste e do próprio interior de Alagoas.


As causas dessa ocupação são diversas, contudo, as mais significativas estão a deficiência de grau de instrução o que dificulta a absorção dessas pessoas no mercado de trabalho, a busca por melhores condições de vida e a falta de alternativas de moradias populares para famílias de baixa renda.


Foto: Maria Eduarda Xavier


Essa população vive em uma situação de marginalização, falta acesso a serviços públicos essenciais como saúde, saneamento básico e educação, submetidas e expostas a diversas doenças causadas pela falta de estrutura de seus barracos e acesso ao saneamento básico.


Atualmente moram cerca de 300 famílias na comunidade que sobrevivem com uma renda familiar de até R$500 reais mensais, a renda é oriunda da venda do sururu e de programas sociais como o bolsa família. A média de membros por família é de 4 a 6 pessoas.


Foto: Maria Eduarda Xavier


Acompanhar a rotina de trabalho de marisqueiras e suas famílias, foi essencial para a elaboração deste material fotojornalístico, através deles pude entender o que é ganhar R$8 reais por um dia inteiro de esforço e muito trabalho. Este é o valor pago ao quilo do nosso patrimônio imaterial por atravessadores.


O fotojornalismo foi a maneira que encontrei de buscar essa possível mudança, surge a partir de técnicas desenvolvidas para atender o ávido interesse de consumo por imagens. O termo abrange diversos tipos de fotografia, o escolhido para a construção deste trabalho de conclusão foi o documental. Ele mantém sua relação com o textual, e ainda absorve concepções artísticas.


Realizar uma produção fotográfica na comunidade em que compartilhei alguns momentos com meu avô, com toda certeza, foi uma experiência única, inesquecível e desafiadora. Amo a fotografia, mas nunca produzi nada em que ela fosse objeto principal da observação do leitor.




 
 
 

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