Sem prometer, ‘The Bold Type’ cai nas graças dos brasileiros levantando temas importantes
- Jay Oliveira

- 4 de ago. de 2021
- 4 min de leitura
A série que caiu na graça dos brasileiros é tida como uma produção “água com açúcar”, mesmo abordando assuntos importantes e impactantes na sociedade
*Contém spoilers da série
‘The Bold Type’ é uma criação de Sarah Watson, conta no elenco com Katie Stevens, Aisha Dee, Meghann Fahy e foi lançada em 2017, nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil pela Netflix este ano e desde o lançamento, a série se tornou uma das mais vistas pelos usuários da plataforma, ficando durante algumas semanas no Top 10 de conteúdos mais assistidos no Brasil.

Foto: Divulgação
Katie Stevens, Aisha Dee, Meghann Fahy interpretam três amigas que se unem para conquistar o sucesso em Nova York. Juntas, as personagens Jane Sloan, Kat Edison e Sutton Brady, batalham para fazer seus sonhos resistirem às realidades da vida. As três trabalham sob os comandos da editora chefe Jacqueline (Melora Hardin), que é a cabeça da revista Scarlet, equilibrando firmeza e empatia com a sua equipe. Elas dividem a redação com Alex (Matt Ward) e Richard (Sam Page), um membro do conselho diretor e advogado da revista.
Mas a série vai além de um cotidiano de moda e trabalho. Por isso, reunimos 10 temas importantes abordados na obra:
1# QUESTÃO RACIAL

Kat é questionada por Alex, um homem negro, sobre sua raça, o que deixa Kat surpresa e se sentindo encurralada, porque até então ela nunca tinha parado para pensar a respeito, por sempre viver em uma bolha, que nunca a questionou sobre ela ser ou não uma mulher negra. Kat então passa por esse processo de reconhecimento racial.
2# POLÍTICA

Nesse processo, Kat se candidata à vereadora de Nova Iorque. É ocupando esse lugar na sociedade, se entendendo como mulher negra que ela decide quais bandeiras defenderá. Assim, Kat deixa de ser apenas uma jovem entre muitos, e passa a ser uma jovem negra candidata a vereadora de uma megalópole.
3# BOLHA FAMILIAR

Kat nunca havia se questionado sobre ser ou não uma mulher negra, porque vivia em uma bolha de proteção familiar. Filha de mãe branca e pai negro, ambos psicólogos, tinha o privilégio de uma família estruturada e financeiramente favorecida.
4# BISSEXUALIDADE

Kat passa por várias descobertas durante a série e uma delas é bem no início, quando se descobre bissexual, ao se sentir atraída por Adena (Nikohl Boosheri), uma fotógrafa muçulmana. Além disso, na série Kat sofre o apagamento sexual, pelo fato de mesmo descobrindo que gosta de mulher, ainda se sentir atraída por homens e a bissexualidade ser muitas vezes considerada indecisão. A sociedade nos exige um rótulo, ofertando apenas dois: gostar de homem ou gostar de mulher. Sem meio termo. Kat então, se torna uma mulher negra bissexual.
5# XENOFOBIA

Adena, como foi mencionado, é muçulmana e por conta disso sofre xenofobia diariamente na cidade de Nova Iorque. Trazendo para a vida real, uma pesquisa mostrou que 4 em cada 10 pessoas nos Estados Unidos, admitem ter pelo menos um pouco de preconceito contra mulçumanos. O dobro se comparado com outras religiões. O preconceito aumentou principalmente depois do ataque do dia 11 de setembro, o nome para isso é islamofobia.
6# ABUSO SEXUAL


Jane é designada a escrever um matéria sobre abuso sexual. Uma tarefa difícil e delicada. O que Jane não esperava era ter Jacqueline como sua personagem principal. A editora chefe vai a público e dá seu depoimento sobre o que aconteceu. Jacqueline foi estuprada por um antigo chefe, um depoimento, como todos relacionados a esse tema, muito pesado. Jacqueline se sente culpada por não ter falado antes a respeito ao descobrir que outra mulher foi abusada pelo mesmo homem e acredita que ajudou no acontecimento por ter ficado em silêncio.
7# CÂNCER DE MAMA

Jane fica incumbida de escrever a matéria sobre o câncer de mama para a Scarlet, mas o que ninguém sabe é que a mãe da jornalista morreu devido ao câncer e escrever sobre o assunto se torna difícil para ela. No processo de pesquisa, Jane descobre uma médica que faz teste do gene BRCA1 precoce, antes da idade recomendada, sendo uma forma de saber com antecedência o risco de se ter câncer de mama. Ninguém melhor para um personagem que já teve um caso na família, certo? Jane se recusa em primeiro momento, por ter apenas 25 anos, visto que esse exame geralmente é recomendado após os 30 anos. Mas depois, resolve fazer o exame e descobre possuir a mutação.
8# DIFERENÇA DE IDADE

Richard, aos 41 anos, é membro do conselho diretor e advogado da revista, mas além de ser um funcionário da Scarlet, ele é a paixão da Sutton, que tem 26 anos. Ambos se conhecem no trabalho e durante um bom tempo vivem um romance, o que é proibido entre funcionários. As regras mudam, eles assumem o namoro, sofrem preconceito das pessoas ao redor por causa da diferença de idade, mas se casam e planejam a vida juntos.
9# NÃO QUERER SER MÃE

Esse romance entra em crise quando Sutton fala que não deseja ter filhos, mesmo tendo combinado com Richard que seriam pais. Ela diz que não naquele momento, porque ela quer priorizar a carreira, mas sim quando ela estivesse mais velha. Richard concordou em esperar, mas Sutton logo depois entende que na verdade, ela não quer ser mãe e os planos do casal de ficarem juntos são abalados, já que Richard quer ser pai. A série mostra que a mulher pode e deve priorizar a sua carreira e que está tudo bem não querer ser mãe.
10# SER DESEJADA AOS 50

Jacqueline, a Boss da Scarlet, se dedica integralmente ao trabalho, deixando seu casamento e família de lado, o que resulta em uma separação. Mesmo sendo uma decisão do marido, Jacqueline ao se descobrir solteira, sai com amigas, reencontra paixão da juventude e se sente mais viva, depois de anos “presa” em um relacionamento.
A série que já tem quatro temporadas disponíveis na Netflix, tem muito para prender a atenção de quem assistir e levantar ótimas discussões sobre vários assuntos. Deve ser por isso que a produção já teve a quinta temporada confirmada, o que trará mais temas a serem analisados e debatidos em novos episódios.





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