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‘Manhãs de setembro’ foge de estereótipos e apresenta nova perspectiva sobre mulheres transexuais

  • Foto do escritor: Matheus Xavier
    Matheus Xavier
  • 26 de jul. de 2021
  • 3 min de leitura

A série que acumula críticas positivas, impressiona pela fotografia, atuação, roteiro e representação de mulheres invisibilizadas pela sociedade.


Por Matheus Xavier / Marcondes Augusto


A mais nova série brasileira do Amazon Prime Video, ‘Manhãs de Setembro’ foi lançada no dia 25 de junho, mês do Orgulho LGBTQIA+. A trama relata a história de Cassandra, uma mulher trans de 30 anos que trabalha como entregadora de aplicativo para sobreviver e que acaba descobrindo a existência de um filho de 10 anos. Com sua vida mudando completamente, ela ingressa numa jornada de autoconhecimento e reflexão.


Cassandra e seu filho, Gersinho. (Foto: Divulgação)

Ao longo de 5 episódios, o drama retrata as dificuldades pessoais, precariedade profissional e afetiva de Cassandra. A personagem interpretada pela a cantora Liniker, além de não saber lidar com o surgimento de um filho, e a presença da ex-namorada, precisa enfrentar uma rotina dura em um trabalho precário por falta de oportunidades.

A série vem recebendo ótimas críticas e acumula elogios tanto pelo elenco LGBTQIA+ quanto pela nova perspectiva em que retrata mulheres trans. O roteiro, assinado por Alice Marcone, Josefina Trotta e Marcelo Montenegro, foge de qualquer romantização de núcleos ricos das séries habituais.

Disponível em 240 países, a minisérie de 5 dos epísódios, entrega debates importantes e pertinentes na contemporâniedade: homossexualidade na terceira idade, descoberta da orientação sexual, afetividade, questões de gênero e problemas sociais como pobreza e miséria. Além disso, apresenta uma nova perspectiva de família, fugindo dos moldes tradicionais, evidencia uma realidade vivida por muitas pessoas LGBTQIA+, no qual tendo se afastado de seus parentes devido ao preconceito, encontra conforto e companheirismo familiar em seus semelhantes.


SOBREVIVÊNCIA E AFETO


A série pontua ainda a dificuldade que pessoas LGBTQIA+ enfrentam diariamente na busca por espaço no mercado de trabalho. Embora alimente sua paixão por música exercendo a função de cantora em um bar na noite paulistana, Cassandra sobrevive de seu trabalho como entregadora de aplicativo, um ofício informal que evidencia a precariedade de empregos vivida por muitos brasileiros.


Pedrita (Linn da Quebrada) e Cassandra (Liniker) em cena. (Foto: Divulgação)

Junto a isso, ainda é necessário manter-se viva. Dias após a estreia da série, Roberta Nascimento teve 40% do corpo queimado após um homem jogar álcool e atear fogo no Centro de Recife. A moradora de rua passou por complicações e acabou não resistindo, morreu duas semanas depois do ataque. Na mesma cidade foram registrados outros três assassinatos de mulheres trans no último mês.


Mesmo com a pandemia, os crimes contra pessoas trans aumentaram 41% em 2020. Segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), foram 175 assassinatos somente no ano passado. A entidade já registrou 56 mortes violentas esse ano.


A afetividade retratada na série normaliza afetos enquanto levanta debates importantes. Na a série ela se envolve com Ivaldo (Thomás Aquino), homem cis casado e pai de uma menina. Os dois mantêm um relacionamento paralelo que vai bem até Ivaldo descobrir a sexualidade de sua filha e começar a questionar o próprio desejo. Ele impõe condições ao relacionamento as quais Cassandra não aceita, ela acaba se afastando com essa tentativa de marginalização do seu afeto.


Ter a representação de mulheres trans pretas e suas diferentes realidades, sai da perspectiva comum ao público muitas vezes conservador, que representa a diversidade presente na comunidade LGBTQIA+ utilizando apenas homens cisgêneros gays em suas produções. A escolha de fugir de clichês, pode incentivar as produções audiovisuais brasileiras a investir em enredos e narrativas mais diversas fugindo de personagens estereotipados e finais previsíveis.


‘Manhãs de Setembro' deixa o público na expectativa de uma segunda temporada, onde poderemos conhecer mais de Cassandra e explorar os núcleos do universo apresentado ao espectador juntamente com o desenrolar das histórias de outros personagens da série.


Leide (Karine Teles), Gersinho (Gustavo Coelho) e Cassandra (Liniker). (Foto: Divulgação)

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