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De gata borralheira a Miss encantada:

  • Foto do escritor: thatyanabeatrizfer
    thatyanabeatrizfer
  • 15 de ago. de 2020
  • 3 min de leitura

Conheça a história de Anthonela Medeiros, a Miss Alagoas gay 2020.


Texto por Cecília Lopes, Thamires Martins e Thatyana Ferreira


De família humilde, negra, estudante e diarista, seu sorriso fácil e gestos delicados não contemplam a rotina puxada que essa sonhadora enfrenta todos os dias para garantir o futuro que deseja.


Se a história da Cinderela fosse contada nesta época, com certeza Anthonela daria uma boa versão. Quem imaginaria que essa “gata borralheira”, com ajuda de patrocinadores, a quem ela intitula de verdadeiros amigos, iria se transformar e mostrar sua autêntica e delicada beleza.


Por trás de todo o glamour visto no último concurso, parte do trabalho de transformação esteve nas mãos de sua fada madrinha, o estilista Warley Costa, a quem a miss é grata e nunca esquece de citá-lo quando fala das conquistas de suas coroas. Agora, Anthonela coloca todo seu empenho e expectativa para os próximos sonhos de seu coração: Conseguir o título de Miss Gay Brasil e se formar em enfermagem, para assim cuidar de outras pessoas, coisa que a faz se sentir realizada.


Ao contrário do conto de fadas, não foi preciso um sapatinho de cristal para realizar alguns de seus sonhos e sim de garra e apoio, principalmente das mulheres da sua família, sua referência, na arte e na vida.


Criada por sua mãe, já falecida, avó e tia, junto com seus irmãos, Anthonela é acostumada com a casa cheia e alegre. Mas nem tudo são flores na vida familiar da nossa atual Miss Alagoas Gay.


Walderlan Cleyton de Oliveira Silva, seu nome de batismo, nasceu aqui em Maceió, lugar onde viveu até seus 13 anos, logo em seguida foi morar com sua família no município de São Miguel dos Campos, AL.


Arquivo pessoal


Quando criança, ele já percebia sua atração por pessoas do mesmo sexo, sua paixão pela moda e universo feminino. “Eu sempre tive essa curiosidade de me transformar, de me ver como menina, aí eu ficava sempre acompanhando concursos de misses”.


A referência à princesa com seus sapatinhos de cristal não é à toa, assim como ela, Anthonela/Walderlan carrega uma personalidade digamos que pura, ao encarar os desafios de uma sociedade ainda tão preconceituosa, de maneira leve, otimista e de cabeça erguida.


“Hoje eu lido melhor com tudo isso. Pretendo ser exemplo para outras pessoas, outras crianças... pessoas que querem se transformar, mas não tem coragem e nem apoio”.


Fora de seu personagem Anthonela, Walderlan chama a atenção com sua beleza negra, destacada em seu cabelo black power, que antes foi escondido assim como seu desejo de se transformar.


Quando criança o corte de cabelo era no estilo militar - quase careca. Muitas mães pretas/negras sofrem racismo, durante a maior parte da vida, por causa do cabelo crespo.


Consequentemente acabam levando seus filhos e filhas a salões de beleza para “dar um jeito” em seus cabelos, como uma forma de protegê-los desde cedo.


A ascensão e representatividade do cabelo crespo e cacheado na mídia foi muito importante para o seu processo de autoaceitação e transição capilar. De fato, vivemos em uma sociedade estruturalmente racista, com bases eugênicas, onde o padrão de beleza europeu veio se consolidando ao longos dos anos, mesmo o Brasil sendo um país com pluralidade racial.


“Ao completar meus doze ou treze anos eu consegui convencer minha mãe a deixar meu cabelo crescer. Fui comprando os produtos apropriados para cachos, e me inspirando em pessoas negras que passavam nas reportagens, sites e outras mídias. Eu sempre quis ter meu cabelo afro”.


Conseguir assumir seus cachos foi só mais um passo no seu caminho de auto aceitação e empoderamento.


O sonho agora é quebrar mais uma barreira e se tornar a segunda Miss Gay Brasil alagoana.


Em busca do título, Anthonela se inspira na primeira e até então única representante de Alagoas a ganhar o Concurso nacional, seu nome de guerra é Carolina Sheilla, e ela ganhou o Miss Brasil em 1999, no mês de agosto completa 21 anos dessa coroação. O concurso é realizado todos os anos, no mês de agosto e reúne representantes de todas as regiões do Brasil.



Devido a pandemia de Covid-19, a meta de disputar a coroa do Miss Gay Brasil 2020 teve que ser adiada para agosto de 2021, mas sem sombra de dúvidas que Alagoas será bem representada. Pois, além da história de lutas pessoais que Anthonela/Walderlan carrega, ela também é símbolo de representatividade negra e LGBT, que hoje está conseguindo quebrar preconceitos e barreiras estruturais e ter voz para dizer:


“Se você pode sonhar você pode fazer”

- Walt Disney



Arquivo pessoal



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