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O Gambito da Rainha, série que vem silenciosamente batendo os recordes da Netflix

  • Foto do escritor: carolinemmpeixoto
    carolinemmpeixoto
  • 30 de nov. de 2020
  • 5 min de leitura

“Xadrez nem sempre é competitivo. Xadrez pode ser lindo (...) É um mundo inteiro dentro de 64 quadrados. Eu me sinto segura nele [no tabuleiro]. Eu posso controlá-lo. Eu posso admirá-lo. E é previsível, então se eu me machucar, eu só tenho que culpar a mim mesma.”


*Sem spoilers


Uma minissérie que foi tão pouco divulgada e falada nas redes sociais chegou no top 10 de mais assistidos da Netflix, chegando em primeiro lugar logo em seguida. Chega a ser interessante pensar como ela silenciosamente chegou lá e, de repente, explodiu de gente assistindo e comentando pelo twitter.


Mas o que é que tem de tão especial numa série sobre uma menina jogando xadrez?


Divulgação: Netflix


“Uma série que consegue fazer xadrez ser empolgante, é uma série fantástica” (pessoa aleatória no twitter)

Se essa afirmação te chamou a atenção, então essa série tem toda a razão de estar aqui no blog da Cuscuzeira.


Mas, o que é The Queen’s Gambit? Ou Gambito da Rainha, para os que assistem dublado. Cambito da Rainha.


Uma minissérie que conta, em 7 episódios, a história da órfã Beth Harmon, interpretada pela Anya Taylor-Joy (Fragmentado, A Bruxa) que, durante seu tempo no orfanato, se revela um prodígio do xadrez. No entanto, aos 22 anos, ela precisa enfrentar alguns vícios para conseguir ter sucesso na sua missão de se tornar a melhor jogadora de xadrez do mundo. Baseada no romance homônimo do escritor Walter Tevis de 1983.


O mundo do xadrez, em sua maioria, é dominado por homens. No entanto, isso é ignorado grande parte da série, sendo abordado apenas em alguns momentos. Poderia se considerar um ponto fraco? Sim, afinal, a série poderia ser uma oportunidade de falar sobre o machismo em esportes como esse; abordando sobre como o homem que impõe que a mulher não tem, e não pode, ter um grande intelecto.



Mas isso, com certeza, não faz a série ser menos fantástica, pois ela aborda outros pontos e outros obstáculos que a protagonista teve que enfrentar.


O objetivo desse texto é fazer você decidir sentar no sofá com um prato de almoço, pega o controle da TV - ou o mouse - entra na Netflix e dá play.


Se você já conhece a série… Ela é maravilhosa, né?


O SACRIFÍCIO DO PEÃO


Divulgação/Reprodução: Netflix


“Existem estratégias que precisará aprender ao longo da vida.” - O Gambito da Rainha


Antes de mais nada, vamos esclarecer um ponto aqui: Não precisa entender xadrez para assistir a série. Apesar do xadrez ser o plot da série, ela trabalha bem com isso sem que o espectador lute para entender o que está acontecendo.


A série é bem linear quando narra a história da Beth Harmon, seguindo as fases da vida dela. Porém, ela foca nos relacionamentos que a protagonista faz no decorrer da série. Relacionamentos estes que são de grande importância para os passos que ela dá para chegar aonde quer, que é ser a campeã mundial de xadrez.


O nome da série é esse por um motivo. Além de ser uma estratégia no xadrez, ela também é uma excelente semiótica para os acontecimentos da série e da vida de Beth. O objetivo desse movimento é sacrificar temporariamente um peão para ter o controle do centro do tabuleiro.


Se você não entende xadrez, isso provavelmente ficou confuso, né?


A série trabalha com isso quando você aplica essa situação na vida da protagonista. Pois essa escolha, a de sacrificar o peão, está ligada ao seu passado, já que funciona como uma espécie de sacrifício no qual ela desiste no início para ganhar o jogo no final.


Lembra quando foi mencionado antes sobre a importância dos relacionamentos? Então, todos que a amam e fizeram parte da sua vida sacrificaram alguma coisa por ela, assim como ela tem que fazer um sacrifício por eles. E, como é exposto na ideia do movimento de xadrez, com esses sacrifícios, a ideia final é que ela saia vitoriosa da partida.


ESTRATÉGIA NA INTENSIDADE


Reprodução: Netflix


⁠"É preciso ser uma mulher muito forte, num mundo onde as pessoas aceitam tudo. Só para dizer que têm alguma coisa". - O Gambito da Rainha


Poucos conhecem a atriz Anya Taylor-Joy. O primeiro filme que fez foi A Bruxa, logo em seguida fez Fragmentado dois grandes filmes seguindo a narrativa de suspense. Com a amostra que tivemos em ambos os filmes, não é nem um pouco surpreendente a excelência que foi a sua atuação em The Queen’s Gambit.


Portanto, não é surpresa que ela foi o ponto mais forte da série. E, talvez, seja graças a ela que a série chegou em primeiro lugar no top 10 da netflix. O alcance emocional que ela tem conseguiu dar vida a Beth Harmon, transformando a atuação em uma obra de arte.


Começando pelo fato de que ela não tem medo de ser intensa. A mistura de momentos em que ela se deixava ser inocente, mas em seus olhos escondia uma malícia misturada com curiosidade. Esse parece ser o grande segredo de Taylor-Joy, em diversas cenas, seus olhos atuavam por si só. Isso se demonstra com facilidade nas cenas dos momentos em que Beth tomava seus calmantes, deitava na cama e assistia o tabuleiro surgir no teto do quarto. O olhar perdido, porém intenso.


A personagem, por si só, já era bem escrita. No entanto, Anya trouxe seu próprio charme para o papel. Ao assistir seus trejeitos jogando xadrez, é fácil de observar a feminilidade em seus movimentos. Anya explicou em uma entrevista que “Queria que ela tivesse um jeito muito distintivo de mover as peças que fosse silencioso, embora muito rápido, implacável e inegavelmente feminino.”


A METÁFORA DO XADREZ


Reprodução: Netflix


⁠”Para alguns, xadrez é um passatempo. Para outros, é uma compulsão, quase um vício. E vez por outra, surge alguém que é um talento nato. [...]” - O Gambito da Rainha


Obviamente, a série se concentra e gira em torno do xadrez. Um jogo que normalmente seria considerado tedioso, cansativo e demorado, ganhou vida de uma forma eletrizante nas mãos da equipe que fez a série. Até mesmo os ângulos de câmera, durante as partidas, conseguiram tornar o jogo interessante.


A série usa o jogo como uma excelente forma de desenvolver a personagem ao longo da narrativa. Como foi falado no primeiro tópico desse texto, o xadrez é uma metáfora para a vida de Beth. O próprio nome da série funciona como uma metáfora para a trajetória da personagem.


Essa série vem quebrando recordes. Hoje ela é a minissérie mais vista do catálogo da Netflix em apenas 28 dias desde o seu lançamento, sendo assistida por mais de 62 milhões de casas no mundo. A série chegou ao top 10 em 92 países, ainda ocupando o primeiro lugar da lista em 63 deles. Isso sem falar na quantidade de pesquisas no Google de “como jogar xadrez”. Tudo isso, mas a série nem ao menos teve o grande volume de divulgação que muitas séries da plataforma tem.


Tem dúvidas sobre assistir essa série? Dá uma chance! Depois vem aqui comentar o que achou.






2 comentários


joemilda
01 de dez. de 2020

Bom dia. Texto muito bem escrito, parabéns, despertou meu interesse em assistir a série.Beijos.

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isabelammpeixoto
01 de dez. de 2020

Bom dia, como todo texto que leio de vocês, esse é mais um que me inspira, não tinha pretensões de assistir, mais vou dar uma chance a série. Bjs em todos.

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