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O VÍRUS DO RACISMO

  • Foto do escritor: thatyanabeatrizfer
    thatyanabeatrizfer
  • 14 de jul. de 2021
  • 4 min de leitura

Entenda um pouco sobre esse vírus que tem mais de 400 anos e adoece gerações de todo o planeta




Atualmente o mundo está sofrendo com uma pandemia devastadora, que só no Brasil já fez cerca de 534 mil vítimas fatais. São mais de meio milhão de famílias que perderam seus entes queridos para a Covid-19, um vírus que possui vacina. Assim como a Covid-19, o racismo também destrói famílias brasileiras.


Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas em 2018, 43.890 mil pessoas negras morreram vítimas de violência no país. Quando se reduz esse campo de análise e foca somente nas mulheres negras, elas representaram 68% do total das mulheres assassinadas no Brasil em 2018, isso com uma taxa de mortalidade por 100 mil habitantes.



A vacina contra o Coronavírus nasce nos laboratórios, já contra o racismo nasce dentro dos lares, das salas de aula e das rodas de conversa. Parte da reeducação e da resistência, de lutar todos os dias para não ser silenciado, mas principalmente para permanecer vivo.


“A educação precisa ser anti-racista, não só não racista”

explica a antropóloga e Cientista Social Larisse Pontes.



Esse é ponto de partida, como na quebra de todos os preconceitos, como por exemplo o machismo e a homofobia. Conhecer um pouco mais sobre a temática ajuda na desconstrução e reduz a reprodução de termos racistas. Uma pessoa reeducada, transmite a informação para outra e é assim que a rede de pessoas anti-racistas é formada.






No dicionário, apagamento significa o ato ou efeito de apagar (-se), extinção ou eliminação. Já na vida das mulheres negras significa anos de silenciamento. Também significa que - no mínimo - elas serão excluídas da história e terão suas trajetórias diminuídas. Já no máximo, elas perderão a vida por ter mais melanina


De acordo com a antropóloga Larisse Pontes, a sociedade retira as oportunidades dessas mulheres, e nada se fala sobre o assunto. Elas ficam escondidas no imaginário popular, camufladas, como se fosse um pecado conhecer essas guerreiras incansáveis


Em nove de janeiro de 2003 a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino sobre história e cultura Afro-Brasileira em instituições oficiais e privadas, tanto do ensino fundamental quanto médio, foi instituída pelo então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo existindo essa obrigatoriedade, as temáticas não são discutidas abertamente nas escolas, ficando reservadas apenas a datas específicas, como o dia 20 de novembro, mas “a pessoa negra existe o ano inteiro”, como reforça a antropóloga Larisse Pontes.


A mulher negra sofre o ano inteiro. E mesmo quando sua história é contada, ela não é a protagonista. Assim como Dandara, que perdeu a vida defendendo seu povo, mas foi reduzida apenas a ser a esposa de Zumbi dos Palmares.


Foto: Reprodução/ Internet


Anular as guerreiras do passado dificulta a auto aceitação das jovens negras de agora. Porque falta representatividade e falta amor. Então elas se reconhecem através da dor, da injúria e do racismo.




“O empoderamento é individual, mas ele parte do coletivo, a emancipação também é coletiva. E falar sobre essa dor também é um processo de libertação e de cura”,

explica a socióloga Anabelle Santos.


É disso que as mulheres negras precisam, de representatividade, empoderamento e principalmente de cura. Ainda há muito a percorrer, mas se existir união um passo grande já será dado.


Ter apoio é fundamental no processo contínuo de tornar-se negra. Porque de acordo com Anabelle, a sociedade ensina a pessoa negra a passar por esse processo através da dor e da negatividade. Para mudar essa realidade há alguns meios, sendo o principal a educação, seguida pela luta, pelo empoderamento da autoestima e pelo respeito. Respeitar a dor e a cor do outro também é fundamental.


Anabelle dos Santos é graduada em Direito e tem mestrado - e doutorado - em Sociologia. Ela também atua como professora e orienta pesquisas, sendo algumas delas sobre o encarceramento de jovens negros e periféricos. Para além da sua carreira profissional, ela tem dois filhos, uma menina de um ano e sete meses e um menino de três anos. E afirma que está criando os dois para que eles sejam quem quiserem ser. Quer que eles entendam a beleza disso, mas que sejam conscientes porque o mundo é cruel. Para sua filha mais nova, ela deseja que o processo de se reconhecer negra seja menos doloroso.



Não é fácil lutar para sobreviver e se reconhecer através do amor num país que oprime, discrimina e onde, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), dois terços das mulheres assassinadas são negras, mas a revolução precisa partir de algum lugar.


Que o novo comece nos lares, nas escolas e entre os amigos. E que esse novo seja para levantar e não para segregar. O clichê mais usual é de que a união faz força. Somente essa força é capaz de ressaltar que a carne mais barata do mercado nunca foi a carne negra, como canta Elza Soares.


Na verdade o negro sempre foi a raiz da liberdade, como cantava Dona Ivone Lara. E é dessa mudança de pensamento que a sociedade precisa, porque como desabafou a socióloga Anabelle Santos: "viver lutando cansa, mas não há outra maneira”. Só através da luta é possível transformar o passado de escravidão em futuro de alforria.


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